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quarta-feira, 2 de março de 2011

Jornada Mundial da Juventude: A conquista do título de campeão



O tema da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Madri, na Espanha, em Agosto, «Enraizados e edificados n”Ele… firmes na fé» (cf. Cl 2, 7) traz consigo uma ligação prática com o futebol. Para que as partidas ocorram, é preciso que o gramado esteja perfeito e com as raízes fortes para que os atletas estejam firmes no que sabem fazer de melhor. Na terra dos atuais campeões mundiais, milhões de jovens mostrarão ao planeta que o Evangelho deve ser anunciado com a empolgação de um grito de gol.
Assim como na Copa do Mundo, milhares de pessoas de vários países estarão reunidas em torno de uma única causa. Se no Mundial esse motivo é o futebol, na JMJ esta união celebrará o amor, a esperança e a amizade. Os passes serão para construir laços firmes entre os jovens, o chute para longe será no pecado e gol terá o sabor da Eucaristia. O técnico é Jesus Cristo e o capitão do time o Santo Padre, o Papa Bento XVI.
Nessa partida, que é a vida, os jovens precisam driblar os inimigos que surgem pela frente, como as drogas, o álcool e a desmotivação. A tática já está escrita a mais de dois mil anos na Bíblia Sagrada. No capítulo 13 de São Mateus, o próprio Cristo anuncia a “estratégia” para vencer esse jogo. “A terra boa semeada é aquele que ouve a palavra e a compreende, e produz fruto: cem por um, sessenta por um, trinta por um”. (Mt 13, 23).
Quem tem a raiz firme n”Ele é um vencedor. Mesmo que tribulações apareçam, que alguns resultados sejam adversos, a vitória já está garantida. Ela será muito maior do que levantar a Copa do Mundo. O Céu é o prêmio para os que persistirem. E é este o objetivo que os jovens devem almejar. Os que conseguem buscar a santidade nos tempos atuais já são verdadeiros campeões.
Fico imaginando como seria Jesus passando a instrução para os jogadores, ou melhor, os discípulos, nos dias de hoje. “A presença física de vocês é importante, mas é fundamental também que o anúncio da palavra seja feita através da Internet, principalmente nas Redes Sociais”. A Igreja Católica deve mostrar a sua força também nos meios eletrônicos, onde a permissividade tem livre espaço. Os jovens cristãos têm de se entusiasmar para evangelizar na Internet como se estivessem vestindo a camisa da sua seleção numa decisão.
A firmeza na fé é demonstrada através de testemunhos públicos. Para ser considerado um grande craque mundial, um jogador tem de ter participado da Copa do Mundo. Da mesma forma, um jovem católico para alcançar o Reino dos Céus não teve ter medo de julgamentos por admitir que praticam uma religião. A energia vem através da Eucaristia e a força com a união da juventude, que na Espanha dará uma prova de que vale a pena enfrentar todos os obstáculos para conquistar este título.

Hildo Neto é do Setor Juventude da Arquidiocese de Olinda e Recife

Fonte: Site da Arquidiocese de Olinda e Recife


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Virar a página - Pe. Fábio de Melo


'Talvez você precise "virar a página"! ', diz Padre Fábio de Melo

Quanto sofrimento se estende em nossas vidas, porque não sabemos pôr um ponto final nas coisas? Temos que ter a coragem de pôr este ponto final em muitas coisas em nossas vidas. Por exemplo: nos vícios. Conheci um rapaz que, com 38 anos, estava morrendo de câncer, porque não soube pôr um ponto final em seu vício. Deixou seus filhos e esposa, pois fumou desde os 12 anos.

Padre Léo uma vez me dizia: "Meu filho, eu nunca pedi a Deus que me curasse do meu câncer, porque seria muito injusto eu plantar limão e querer colher outra coisa. Eu fumei a vida inteira. Então, eu peço a Ele que me ensine a morrer do jeito certo".

Se eu não faço minha parte, eu me pergunto: será que é honesto eu pedir que Deus faça a parte Dele, se eu não faço a minha? Ele já fez a parte Dele nos dando a vida, precisamos fazer a nossa parte!

Há enfermidades que não buscamos, mas há tantas outras que a gente costura, que a gente busca. Como terei saúde boa, se não tiver uma boa alimentação? Como é que terei saúde espiritual, se eu não busco coisas boas? Um dia eu aprendi muitas lições na escola, mas hoje vejo que tudo aquilo que aprendi também é Evangelho. Deus pode, e eu tenho que poder com Ele. Tome uma atitude a partir de hoje.

Deus é dinâmico, e precisamos ser também. Olha quanta coisa perdemos na nossa vida porque somos lerdos. Se nós entrarmos no dinamismo da graça, ninguém nos segura! Vá à mesma velocidade em que Deus está! Ele não perde tempo. Ele ama a toda hora. Se você tem que perdoar, perdoe hoje! Tenha pressa de ser feliz, pois não sabemos quanto tempo nos resta. Tenha pressa de se reconciliar com as pessoas que você ama, tenha pressa em fazer uma atividade física, tenha pressa em amar, tenha pressa em querer a vida, pois não sabemos quanto tempo ainda temos.

Onde será o ponto final, a vírgula, o ponto de interrogação ou de exclamação, que você deve colocar em sua vida? Talvez você precise "virar a página"! Deixe que Deus fale ao seu coração, pra que você saiba o que realmente deve fazer em sua vida.

Pe. Fábio de Melo

domingo, 10 de janeiro de 2010

O Batismo de Jesus


Rio de Janeiro, 07 jan (RV) - Com a festa do Batismo de Jesus concluímos o tempo do Natal. A reflexão sobre o Mistério da Encarnação continua. É uma ótima oportunidade para examinarmos a nossa própria vida batismal hoje, e a ação eclesial para o trabalho de iniciação cristã pedida pela Igreja para educar e evangelizar os novos cristãos.

O batismo de Jesus por João no rio Jordão é um evento que nos mostra com intensidade como o Salvador quis solidarizar-se com o gênero humano imerso no pecado. João chamava à penitência e administrava um batismo de conversão. No entanto, Jesus, o Cordeiro sem mancha que veio tirar o pecado do mundo submete-se ao batismo de João. É um momento de Epifania, quando a Trindade se manifesta e aparece claramente a missão do Filho que deve ser escutado.

Podemos contemplar, pois, no episódio do batismo do Senhor, aquela condescendência divina que faz com que Deus assuma tudo o que é próprio da nossa frágil condição humana. Jesus não teve pecado, mas, num gesto de solidariedade para com toda a humanidade, assumiu o que decorre do nosso pecado, desde o batismo dos pecadores até a morte ignominiosa da cruz.

A condescendência divina, manifestada de forma tão pungente na vida, atitudes e palavras de Jesus, nos estimula a amar com todas as nossas forças a Deus que tanto nos ama, e nos tornar mais compassivos e condescendentes para com todos aqueles que, de uma ou de outra maneira, sofrem e precisam de nossa solidariedade. A contemplação da caridade divina deve encher nosso coração de caridade. São Paulo ensinou-nos, entre outras coisas, que a caridade é prestativa, não é orgulhosa, alegra se com o bem, tudo crê, tudo espera, tudo desculpa.

Estes dias de tantas catástrofes em nossa região sudeste demonstram como é importante o compartilhar as dores e sofrimentos das pessoas.

O batismo que recebemos foi o batismo instituído por Jesus, o batismo da Nova Aliança. O batismo de João era apenas um sinal de conversão. O batismo que Jesus confiou à sua Igreja é um sinal eficaz, pois não só significa, mas realiza a libertação e a renovação de nosso ser, tornando-nos filhos de Deus à semelhança do único Filho. Os Padres da Igreja chegaram a dizer que Jesus desceu às águas justamente para santificá-las e transmitir-lhes aquele poder de purificação e renovação, que é exercido toda vez que a Igreja batiza em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Ao celebrarmos a festa do batismo do Senhor Jesus, temos diante de nós uma ocasião propícia para renovar nossas promessas batismais. Viver intensamente os compromissos de nosso batismo é o grande convite que Deus faz a cada um de nós. A graça divina jamais falta àquele que, com sinceridade de coração, procura viver segundo o “homem novo”, nascido da água e do Espírito. Os inúmeros santos e santas canonizados pela Igreja são um eloquente testemunho de que a força do batismo pode fazer maravilhas na pessoa e na sociedade que ajudaram a transformar segundo o desígnio de Deus.

Que a graça do batismo nos torne, na Igreja e através da Igreja, o Corpo místico do Senhor, verdadeiros discípulos-missionários de Jesus! O batismo liga-nos também à Igreja, à qual Cristo uniu-se de maneira irrevogável. Não podemos querer Cristo sem sua Igreja. O “Cristo total” é a Cabeça e o Corpo. Contemplando, assim, o mistério de Cristo que resplandece na face da Igreja e vivendo a graça do nosso batismo, anunciemos com humildade e caridade a fé que nos salva e enche de alegria a nossa vida!

+ Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
Rádio Vaticano

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

FALANDO DE CATEQUESE: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES



Este mês, dia 09/09 perdemos um dos baluartes da catequese do NE2, a simples, humilde, pura de coração e dedicada, Irmã Visitatio, a Catequista Itinerante, como ela própria se denominava. Ainda no dia 30/08, perto de ir para o Pai, deixou uma mensagem para os Catequistas onde insistia sobre a formação. Isto nos fez pensar quanto ela ensinou a nós, que somos catequistas em Casa Forte, em seus encontros, conversas e o “Data Chão”, cartazes que ela ia espalhando pelo chão, à medida que desenvolvia seus encontros.
Em Casa Forte temos uma Catequese de Crianças e Pré Adolescentes organizada, segundo os Documentos e Diretrizes da Igreja e se atualizando com o passar dos anos. É uma Catequese em constante desenvolvimento e sem preconceitos. Recebemos Crianças e Pré-Adolescentes tanto de Classe Média como de nossas comunidades. Quem consulta o site da Paróquia ou o blog da Catequese, já pode observar como nós trabalhamos atingindo não só os catequizandos, mas, também seus pais. Há um programa de formação de Catequista, pelo qual já passaram vários orientadores: Gustavo Castro, Aderson Viana, PE Claudio Sartori, Irmã Visitatio, entre outros (além do nosso Vigário.)
No Centro Catequético do Poço da Panela os catequizandos têm os seus Encontros no próprio local onde residem, porque há condições físicas para isto. Com relação aos outros Centros isto não é possível pela ausência ou precariedade de ambiente físico para os Encontros (barulho, pouco espaço) o que vem a distrair os catequizandos. Mas, o que nos é possível realizar, o fazemos com compromisso e amor, durante todos os sábados do ano. Os catequizandos após os Encontros participam ativamente da Celebração Eucarística preparada especialmente para eles.
E é assim que vivenciamos a nossa Pastoral, recebendo crianças a partir de seis anos que só fazem sua Primeira Eucaristia quando completam 10 anos, ficando conosco mais ou menos 2 anos na Perseverança para daí participarem do Encontro de Adolescentes.
Alertamos aos pais: não se descuidem, vocês são os primeiros e principais Catequistas. A Fé é transmitida junto com o leite materno!
Estamos à disposição de todos para quaisquer esclarecimentos ou para fazerem parte de nossa Pastoral.
Deus nos abençoe!
Maria Pompéa Castelo Branco da Bôa-Viagem (pela Catequese Paroquial)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

"EU TE ADORO HÓSTIA DIVINA"

A propósito da adoração ao Santíssimo Sacramento e a missa:
Aprendendo da história

Frei José Ariovaldo da Silva, OFM

1. A prática de adorar o Santíssimo na missa hoje: alguns exemplos

Chega a ser impressionante, nestes últimos anos, a volta das manifestações de adoração ao Santíssimo Sacramento durante a celebração do memorial do sacrifício de Cristo, isto é, durante ou imediatamente após a missa.
Muita gente, na hora da consagração, tem o costume de sussurrar exclamações como: “Meu Jesus, eu te adoro”, ou, “Meu Senhor e meu Deus”, ou, “Senhor, eu creio em ti, mas aumentai minha fé” etc.
Muitos padres, na hora da consagração, levantam devagar e solenemente, bem alto, a hóstia consagrada e, depois, o cálice, para adoração dos fiéis. Olhos fixos no pão e no vinho consagrados, ao som das campainhas, todos adoram a Jesus que “desceu sobre o altar”, como dizem.
Há padres que, logo após a consagração, interrompem a Oração Eucarística, saindo com o Santíssimo Sacramento em procissão pela nave a Igreja – chamam essa procissão de “passeio” – para adoração dos fiéis com manifestações de aplausos, toques na hóstia por parte dos fiéis para receber a cura etc.
Muitos, após a consagração, substituem a aclamação memorial “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição” por cantos de adoração como: “Eu te adoro, hóstia divina”, ou, “Bendito, louvado seja, o Santíssimo Sacramento” etc.
Muitos cristãos e cristãs, assim que recebem a comunhão têm o hábito de se ajoelhar na capela do Santíssimo Sacramento para adorar Jesus presente ali no sacrário. Como se não tivessem acabado de “receber Jesus” no templo do seu próprio corpo!...
Há padres – e leigos também – que incentivam a adoração do Santíssimo imediatamente após a missa, dando assim a impressão que a comunhão não valeu, ou valeu pouco. Pois, dada a importância que se dá à adoração e à bênção do Santíssimo logo após a missa, a comunhão no corpo e sangue de Cristo acaba caindo no esquecimento, em segundo plano. Como vi e ouvi, certa vez pela televisão, um padre animador proclamar solenemente e com todo entusiasmo para a multidão, assim que terminou a missa presidida pelo bispo: “Meus irmãos, agora vamos receber e bênção do Santíssimo Sacramento... Não existe bênção mais importante do que esta”! Conclusão: A maior bênção, que foi a participação no memorial do sacrifício de Cristo, isto é, na missa recém-celebrada, deixou de ser a mais importante!...
Alguns chegam a substituir a bênção final da missa pela bênção do Santíssimo Sacramento.
São alguns exemplos ilustrativos de como estão resgatando por aí o sentido da missa mais como ato de adoração ao Santíssimo do que como celebração do mistério pascal na forma de uma ceia. Inclusive com manifestações de adoração ao Santíssimo Sacramento imediatamente após a missa, colocando-a em segundo plano...
São costumes que tiveram uma origem, bem como um motivo por que se originaram, na história da Igreja. Vejamos o que diz a história a respeito. Ela pode nos ensinar muita coisa e nos iluminar em nossas práticas celebrativas da eucaristia hoje.

2. Quando e por que evoluiu a prática de adorar o Santíssimo na missa

A prática de adorar o Santíssimo Sacramento durante a missa se desenvolveu com toda força na passagem do primeiro para o segundo milênio. Em plena Idade Média, portanto.
Antes, isto é, no primeiro milênio, sobretudo até o século IX, a eucaristia era vista e vivida sobretudo como celebração memorial da páscoa de Cristo, em clima de ação de graças, da qual participava ativamente toda a assembléia, tendo como ponto alto desta participação a comunhão no corpo e sangue de Cristo. Não havia adoração ao Santíssimo durante a missa, como se entende e se faz hoje.
Aos poucos, porém, sobretudo a partir do século VIII-IX, a missa vai se tornando cada vez mais “coisa do padre”. Os motivos são vários, e não vem ao caso elencá-los aqui. Basta dizer que o clero vai aos poucos monopolizando tudo na celebração eucarística. Os padres começam a rezar a missa sozinho. E, mesmo havendo assembléia, adota-se o costume de os padres fazerem tudo sozinho (orações, leituras etc.), em voz baixa, de costas para o povo, em latim. O povo apenas assiste, de longe. Já não participa mais, como era antes.
Com isso, os cristãos perdem também o estímulo em participar também da comunhão recebendo o corpo e o sangue do Senhor. Esquecem-se assim da ordem que Jesus mesmo deu: “Tomai e comei... tomai e bebei”. (Jesus mandou comer e beber! Comer e beber é parte integrante e ponto alto da participação na missa). Cada vez menos gente participa da comunhão. Apenas assiste a “missa do padre”.
Outro fator que distancia o povo da mesa da comunhão na missa: Aos poucos, por influência dos povos franco-germânicos, os cristãos de nossa Igreja romana absorvem uma mentalidade quase doentia em relação à divindade, vendo nesta um ser terrível, ameaçador, vigiando e controlando nossas atitudes. Ligado a isso, se acentua uma mentalidade obsessiva em relação ao pecado, ao castigo, ao inferno e purgatório. O clima era, pois, de medo. Resultado: O povo fica com medo de comungar. Pois comungar significava aproximar-se do Juiz terrível e ameaçador e, possivelmente, correr perigo de castigo por nossos pecados.
Assim, no século XII, já praticamente ninguém comungava mais. Foi preciso que o quarto concílio do Latrão, realizado em 1215, decretasse uma lei determinando que todo católico devia comungar pelo menos uma vez por ano, por ocasião da páscoa, depois de fazer uma boa confissão. Pelo menos uma vez por ano! Como se vê, não era mais costume comungar em cada missa.
O que o povo fazia então, enquanto o padre, lá distante no altar, “rezava a missa”? Entretinha-se com rezas, novenas, devoções etc. E a comunhão, o povo a substituiu pela adoração da hóstia. Ver a hóstia, de longe, adorando-a, tornou-se uma forma de “comungar”. Por isso que, então, os padres adotaram o costume de levantar bem alto a hóstia e, depois, o cálice, na hora da consagração. Para o povo ver e prestar adoração ao Senhor terrível que “desceu sobre o altar”, na hóstia consagrada e no cálice de vinho. O desejo de ver a hóstia tornou-se então uma verdadeira febre para os fiéis, o ponto alto, o momento mais importante da missa. Introduziram até o costume de tocar campainhas na hora da elevação, exatamente para chamar a atenção e enfatizar o momento. Bastava ver a hóstia e o povo já se dava por muito feliz e satisfeito.
Outra informação: A partir do século IX, mas com maior vigor a partir do século XI, alguns teólogos de influência, dentre os quais destaca-se Berengário de Tours, andaram espalhando idéias que colocavam em dúvida a presença real de Jesus no pão e no vinho consagrados. A Igreja, em reação a estes movimentos heréticos, desencadeou todo um movimento no sentido de afirmar a fé na presença real. Para tanto, propagou e reforçou a prática da adoração ao Santíssimo Sacramento, dentro e fora da missa. Fora da missa, através de procissões do Santíssimo, bênçãos do Santíssimo etc. Consequência: A missa, distante do pensamento de Jesus e da prática dos cristãos dos primeiros séculos, se transforma numa espécie “fábrica de hóstias consagradas” para serem adoradas. Longe do pensamento de Jesus, porque na última ceia Jesus não disse “tomai e adorai”; ele disse “tomai e comei... tomai e bebei”!
Como você vê, o costume de adorar o Santíssimo Sacramento durante a missa foi desenvolvido na Idade Média, quando a Igreja havia perdido de vista o verdadeiro sentido da missa como celebração memorial da páscoa de Cristo e nossa (vejam o que Jesus disse: “Fazei isto em memória de mim”!), que tem seu ponto alto no momento da ceia (comunhão). A missa, em vez de ser em primeiro lugar um momento de adoração ao Pai, através do memorial do sacrifício de Cristo que se entrega, na força do Espírito Santo, transforma-se simplesmente numa ocasião privilegiada de adoração à hóstia consagrada, ou, ao Cristo presente no pão e no vinho; mas sobretudo no pão (na hóstia).
Esta mentalidade não foi superada nem com o concílio de Trento (séc. XVI). Perpassou os séculos seguintes, até hoje. Nosso Brasil foi evangelizado com esta mentalidade. Não tivemos outro tipo de evangelização eucarística (refiro-me ao modelo de compreensão dos primeiros séculos de cristianismo). O modelo medieval é que ficou muito bem arraigado no nosso subconsciente religioso. Por isso, o costume de adorar o Santíssimo na missa hoje, segundo os exemplos elencados no início deste artigo, mereceria todo um longo trabalho de evangelização.

3. Desafios para o futuro

Nesses últimos anos, o papa João Paulo II fala de uma nova evangelização. Nós diríamos: Precisamos re-evangelizar nossa cultura religiosa eucarística de tipo medieval, valorizando, à luz do concílio Vaticano II, a compreensão bíblica e dos Santos Padres no que se refere à celebração eucarística.
Não se trata de menosprezar e muito menos querer eliminar as devoções ao Santíssimo Sacramento. Trata-se de, teologicamente, colocar as coisas no seu justo lugar. Não misturar as coisas. Missa é missa. Adoração ao Santíssimo é outra, com seu sentido e valor[1]. A mistura é coisa da Idade Média que, como vimos, acabou colocando a adoração ao Santíssimo acima do verdadeiro sentido da missa.
Também não se trata de dizer que não adoramos Cristo na hora da missa[2]. Os Santos Padres o adoraram! Trata-se de evitar exageros que colocam a prática da adoração ao Santíssimo acima da Oração Eucarística e da própria comunhão eucarística.
Neste sentido, a CNBB nos dá com muita sabedoria a seguinte orientação: “Na celebração da Missa, não se deve salientar de modo inadequado as palavras da Instituição (= consagração), nem se interrompa a Oração Eucarística para momentos de louvor a Cristo presente na Eucaristia com aplausos, vivas, procissões, hinos de louvor eucarístico e outras manifestações que exaltem de tal maneira o sentido da presença real que acabem esvaziando as várias dimensões da celebração eucarística”[3].
Enfim, o grande desafio mesmo está em desenvolver na alma dos pastores e dos fiéis tudo o que o concílio Vaticano II resgatou em termos de teologia e celebração da eucaristia. Peço demais a Deus que o espírito deste importantíssimo concílio, no que diz respeito à eucaristia, não seja abafado pelo individualismo religioso tão forte nesta nova passagem de milênio.

Bibliografia
ALDAZÁBAL José. A Eucaristia. In: BOROBIO Dionísio. A celebração na Igreja 2: Sacramentos. São Paulo: Loyola, 1993, p. 204-244 (“Evolução histórica e compreensão eclesial da eucaristia”).
BASURKO Xavier & GOENAGA José Antônio. A vida litúrgico-sacramental da Igreja em sua evolução histórica. In: BOROBIO Dionísio. A celebração na Igreja 1: Liturgia e sacramentologia fundamental. São Paulo: Loyola, 1990, p. 37-160 (sobretudo p. 84ss.).
CABIÉ Robert. A Eucaristia. In: MARTIMORT Aimé Georges (Org.). A Igreja em oração II. Petrópolis: Vozes, 1989 (sobretudo p. 130-132: “A devoção medieval”).
COLDEBELLA Silde. Adoração na missa?. In: Revista de Liturgia n. 153 (mai/jun 1999), p. 33-34.
LUTZ Gregório. A presença real de Jesus Cristo na eucaristia. In: Revista de Liturgia n. 153 (mai/jun 1999), p. 8-10.
MARSILI Salvatore. Teologia da celebração da eucaristia. In: VV.AA. A eucaristia: teologia e história da celebração (= Anámnesis 3). São Paulo: Paulinas, 1987, p. 7-202.
MELO José Raimundo de. A participação da assembléia dos fiéis na celebração eucarística ao longo da história: e-volução ou in-volução?. In: Perspectiva Teológica 32 (2000), p. 187-220.
VISENTIN Pelágio. Eucaristia. In: SARTORE Domenico & TRIACCA Achille M. Dicionário de Liturgia. São Paulo: Pulinas, 1992, p. 395-415 (sobretudo p. 399-402: “A celebração eucarística: as grandes etapas de sua evolução histórica”).
[1]Cf. SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO, A sagrada comunhão e o culto do mistério eucarístico fora da missa, 7a ed., Paulus, São Paulo 1975 onde, entre outras coisas, ensina que “a finalidade primária e primordial de conservar a Eucaristia fora da Missa é a administração do Viático (= comunhão para os enfermos); são fins secundários a distribuição da comunhão e a adoração de nosso Senhor Jesus Cristo presente no Sacramento. A conservação das sagradas espécies para os enfermos introduziu o louvável costume de adorar-se este alimento celeste conservado nas igrejas. Este culto de adoração se apóia em fundamentos válidos e firmes, sobretudo porque a fé na presença real do Senhor tende a manifestar-se externa e publicamente” (Introdução, n. 5, p. 10).
[2]O próprio missal prescreve uma genuflexão do sacerdote na hora da consagração, primeiro para adorar a hóstia consagrada e depois para adorar o cálice.
[3]CNBB, Orientações pastorais sobre a Renovação Carismática Católica (= Documentos da CNBB 53), Paulinas, São Paulo 1994, n. 41, p. 22.

terça-feira, 5 de maio de 2009

O ECC em nossa vida - Tânia Cavalcanti

Fiquei deslumbrada ante a perspectiva de vir morar em Casa Forte. Havia alguns meses que procurávamos (eu e as crianças) um apto. que nos agradasse a todos. Que coisa difícil! Paulo viajava muito e eu fazia primeiro uma “triagem” para somente então levá-lo para conhecer os candidatos mais prováveis a abrigar nossa família. Não me lembro de quantos bairros percorremos e muito menos de quantos apto. vimos, pois agradar a todos foi complicado. Recordo-me, apenas, que ao chegarmos aqui em Casa For te, nos apaixonamos imediatamente pelo edifício, pelo bairro, pela localização do imóvel, por tudo enfim... isso, há dezoito anos atrás.No domingo seguinte ao da mudança fui à Paróquia assistir à Missa (o apto. ficava defronte da Praça) e tive o primeiro contato com os paroquianos, na minha nova condição de paroquiana. Fiquei encantada com a celebração e tocou-me profundamente a maneira carinhosa como as pessoas se cumprimentavam, se abraçavam, se beijavam e decidi que eu e Paulo tínhamos que pertencer àquele grupo. Como poderia fazer isso?Num domingo, ao final da missa, Padre Edwaldo falou que havia fichas de inscrição na sacristia para o próximo Encontro de Casais com Cristo. Era a minha oportunidade de fazer parte dessa comunidade que eu tanto admirava! Voltei para casa eufórica com a novidade e Paulo falou, em tom de brincadeira:- Encontro de Casais?

O ECC em nossa vida (continuação)

- Mas mulher , agente não já se encontra todo dia aqui em casa?Fiz que não ouvia, e nos inscrevi sem dizer mais nada a ele.Participamos do ECC (Paulo e eu) e nunca mais deixamos de nos engajar em todos os eventos da nossa paróquia. Hoje, temos a satisfação de contar com nossos amigos da Igreja nos nossos momentos de alegria e de tristeza, de ter ao nosso lado umPároco que batizou nosso primeiro filho (ainda na Matriz de SãJosé), casou nossa filha, que nos conhece pelos nomes e a quem podemos chamar de amigo.”E Paulo? Só vendo para crer! Ele é o primeiro a me incentivar participar das palestras, reuniões e demais atividades da Igreja,apesar de trabalhar até no sábado. Quando às vezes, ao fim do dia, digo que estou cansada para ir a alguma reunião, ele diz:-Lá você descansa!... e lá vamos nós e sempre voltamos felizes por havermos participado mais uma vez da vida da nossa paróquia.È pois, com um enorme sentimento de gratidão a Deus que nos trouxe para Casa Forte (e conseguentemente para o ECC), que convidamos a todos que não fizeram ainda o Encontro, parparticipar desta FESTA que consiste em chegar mais perto DELE!
O próximo Encontro de Casais com Cristo será nos dias 03, 04 e 05 de julho/2009