sexta-feira, 30 de outubro de 2009

As vestes do olhar


Um dia, um homem foi visitar seu amigo.
Ao entrar em sua casa, deparou-se com alguns objetos que o amigo havia separado para venda. Seus olhos se maravilharam com cada um deles, bebendo da sua beleza com assombro. Ficou abismado, contemplando-os.

O relógio pareceu, por alguns segundos, ter parado os ponteiros do tempo. Enquanto isso, a mente do amigo, a quem pertencia os objetos, mergulhava em lembranças, parecia repassar as páginas da sua vida recordando o momento em que adquirira cada um daqueles objetos.

Todos tinham sua história, seu valor, não estavam mortos como pensava, mas apenas adormecidos na memória. Aquele homem que entrara em sua casa, também seu amigo, o fizera reviver, resgatando o brilho do olhar, aquele mesmo brilho que acende a chama do coração e que é tão comum nas crianças.

Então, se deu conta de que o amigo que veio lhe visitar, ao contemplar a sua casa, a via com a novidade do olhar, tudo lhe era novo, belo. O que para ele não passava de cacarecos, para o amigo, encantava e seduzia. Percebeu que seu olhar estava acostumado, não via mais nada, tudo se transformara em lugar comum, passava por cada cômodo como passava por cada pessoa que compunha o mosaico da sua vida, com certa indiferença. Olhar batido de quem não mais se encanta, não se admira com a vida em suas mais variadas expressões.

Lembrou-se, então, do dia em que visitou um sebo. Seus dedos corriam admirados por entre as páginas dos velhos livros, que iam adquirindo força, vida, ante seus olhos enternecidos. Aqueles livros estavam mortos para os outros, mas vivos para ele, suas palavras faziam seu coração pulsar, engrandecer-se, a mente viajava, alimentava-se com novas paisagens. Idéias que para os outros estavam ultrapassadas, para ele eram recém descobertas, pareciam pães fresquinhos saídos da padaria.

Assim é cada pessoa, não precisa de uma nova vida, mas de novos olhos: para contemplar, para encantar-se, para encontrar-se, para amar. E quem dá novos olhos é o coração. Um coração receptivo, aberto e filial. Um coração que todos os dias se volta para Deus, Pai misericordioso, bondoso e amoroso. Deixando escapar dos lábios o Sim. O "Faça-se em mim segundo a tua palavra" Lc 1,38. Para, assim, a Palavra se fazer carne e habitar entre nós Jo 1,14.


Autor desconhecido

terça-feira, 27 de outubro de 2009

31ª Festa da Vitória Régia


Os preparativos para a 31ª edição da Festa da
Vitória Régia que acontecerá no período de 06 a 08
de novembro, já foram iniciados. Padre Edwaldo
junto com os organizadores da festa estão na etapa
de comercialização dos espaços publicitários e
barracas, montagem das equipes que irão trabalhar
de forma voluntária e organização do novo formato
da festa, que este ano terá como homenageado o
paisagista, artista plástico e ambientalista Roberto
Burle Marx, que completaria este ano seu
centenário.
Burle Marx, um dos maiores paisagistas do nosso
século, reconhecido internacionalmente, foi quem
projetou a nossa Praça de Casa Forte, onde acontece
todos os anos a Festa da Vitória Régia.
Como nos outros anos, a Festa contará com cinco
grandes barracas: da Picanha, Camarão, Alegria
Alegria e a novidade fica por conta da barraca
Sabores de Pernambuco. Neste ano, todas as
barracas de alimentação ficarão localizadas de um
único lado da praça, enquanto o outro lado ficará
com a exposição de artesanato. A população poderá
contar ainda com parque de diversões, atrações
musicais, pastoril, pintura no asfalto e apresentações
das crianças da Casa da Criança Marcelo Asfora.
Na próxima edição o Folha Forte trará toda a
programação cultural da festa. As peças publicitárias
estão sendo criadas gratuitamente pela agência
Aport. Serão outbus, outdoor , anúncios para jornal e
comercial para televisão. A agência também produziu
o book para comercialização da festa contendo
informações sobre o evento e as cotas para
patrocínio. As empresas que se interessarem em
anunciar na festa e as pessoas que quiserem
trabalharem conosco nessa grande confraternização,
devem procurar os organizadores que estão se
reunindo todas as segundas-feiras, a partir das 20h,
na casa paroquial.
A Festa da Vitória Régia é beneficente e tem toda
sua renda voltada para ajudar a manter o
funcionamento da Casa da Criança Marcelo Asfora e
Creche Menino Jesus que atendem mais de 300
crianças e adolescente das comunidades mais pobres
da área de Casa Forte.
Zodja Costa
fonte: Folha Forte

Voar sobre o pântano


"Um pássaro vivia resignado em uma árvore apodrecida no meio de um pântano.

Havia já se acostumado a estar ali, comia insetos do lodo e se encontrava sempre sujo por causa do barro pestilento.

Suas asas estavam atrofiadas por causa do peso das imundicies.
Certo dia, porém, um grande vendaval destruiu sua guarida; a árvore apodrecida foi tragada pela lama e então, ele se deu conta de que iria morrer.

Com o desejo instintivo de salvar-se, começou, com força, a bater as asas para empreender o vôo.

Custou-lhe muito trabalho, pois, esquecera como era voar, porém, agüentou a dor do corpo até que conseguiu levantar-se e cruzar o espaçoso céu, chegando finalmente a um bosque fértil e maravilhoso."

Os problemas são como um vendaval que destrói o seu refúgio e obriga você a levantar o vôo ou a morrer.

Nunca é tarde. Não importa o que você viveu, não importa os erros que você cometeu, não importa as oportunidades que você deixou passar, não importa a sua idade, sempre estamos aptos para dizer BASTA, para ouvir o apelo para uma vida melhor, para sacudirmos a lama e voar ALTO, bem longe do pântano.

Abandone o caminho seguro e cômodo.
Enverede-se pelo caminho incerto, cheio de enigmas e de inseguranças, e o percorra solitariamente.

Deus acompanhará você e lhe indicará o rumo certo a tomar.


Autor Desconhecido

sábado, 24 de outubro de 2009

Liturgia do 30º Domingo Comum-25/10/09


"Mestre, que eu veja"

Nos momentos de trevas em nossa vida,
a Palavra de Deus é sempre uma Luz,
que ilumina a nossa caminhada na fé.

Na 1ª Leitura, Jeremias anuncia um sinal de luz
para o povo sofrido, que vivia nas trevas do exílio:
"Coxos e cegos, mulheres grávidas e que deram à luz" retornam à pátria,
guiados por Deus, que cuida deles com cuidados de pai. (Jr 31,7-9)
- É um apelo à esperança e confiança em Deus.

A 2ª Leitura destaca que Jesus é o Sumo Sacerdote,
mediador entre Deus e a Humanidade. (Hb 5,1-6)

No Evangelho, Jesus dá a um cego a luz da visão e da fé. (Mc 10,46-52)

O núcleo central do evangelho de Marcos, que refletimos nesse ano,
é uma caminhada de Jesus para Jerusalém, onde será morto e ressuscitará.
No texto de hoje, temos o último Milagre e última Catequese de Jesus, encerrando sua caminhada para Jerusalém.

Os APÓSTOLOS estavam "cegos" e necessitavam de "Luz"
para ver e entender o caminho da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.

- Perto de Jericó, um cego, sentado "à beira da estrada", não desistia de gritar:
"Filho de Davi, tem piedade de mim". ("Filho de Davi": título messiânico)
- CRISTO parou e chamou-o.
- O cego jogou longe o manto e as moedas, e "saltou" ao encontro de Jesus.
- Cristo tomou a iniciativa: "O que você está querendo?"
- "Mestre, que eu veja", respondeu o cego.
- E Jesus afirmou: "Vai, a tua fé te salvou".
- E o cego, duplamente "iluminado" por Cristo,
torna-se um seguidor de Jesus no caminho a Jerusalém.

Esse episódio, mais do que uma crônica,
é uma CATEQUESE BATISMAL:
- Jesus se manifesta, passa pelo caminho do cego...
- O cego não vê, mas percebe a presença do Senhor e acolhe o convite...
- Trava-se o diálogo...
- O cego recebe a visão da fé e se engaja no seguimento de Cristo pela estrada.

+ Quem era o cego Bartimeu?
Um cego, à beira do caminho, marginalizado como tantos ainda hoje...
O encontro aconteceu "ao longo do CAMINHO". ("Caminho": cristianismo)
O cego não estava no caminho, estava à margem da religião e da vida.
No final, também Bartimeu seguiu Jesus "no caminho".

* A Cura de Bartimeu é mais do que a história de um cego...
É o caminho da FÉ, dos que querem VER e SEGUIR Jesus.
+ O que faz o cego?

- Está atento à passagem de Cristo...
- Toma consciência de sua situação e decide sair dela.
- Supera o medo, a vergonha, começa a gritar, pede ajuda:
- Não desanima diante das contrariedades, continua procurando a Luz…
mesmo quando o povo manda que se cale…
- E quando Jesus o chama: dá um pulo, joga o manto para longe e
corre ao encontro daquele que podia restituir a vista.
- Saiu da margem do caminho e se pôs no caminho com o Mestre.

* Joga fora o Manto, em que recolhia as esmolas...
Para o pobre mendigo, o manto era a sua riqueza, a sua casa, o seu abrigo.
- Quais são os obstáculos que impedem tanta gente, que quer enxergar,
de se aproximar mais de Cristo e de sua Igreja?
Talvez as nossas discórdias internas, a falta de unidade dos cristãos,
talvez uma falta de acolhimento, também uma linguagem complicada,
talvez um chamado mais carinhoso?

* Dá um "Salto" ao encontro de Jesus:
É um gesto significativo "pular" para um cego que "não vê"...
Mas Bartimeu entendeu que Cristo podia curá-lo.
Por isso, jogou o manto, deu um "Pulo" e se aproximou de Jesus.

+ Que tipos de pessoas o cego encontra?
- Uns atrapalham: tentam abafar o seu grito... mandam que se cale...
- Outros ajudam, animam: "Coragem, ele TE CHAMA..."
- Jesus ESCUTA o grito sofrido e confiante do cego, PÁRA e LIBERTA:
Da margem, Jesus o coloca no centro do caminho.
Dá a luz da VISÃO e a luz da FÉ.

+ E Nós o que podemos fazer?

1) Descobrir as nossas cegueiras:
Cegos são todos os que "não vêem" no seu coração as coisas importantes,
não reconhecem a presença e o amor de Deus e vivem na escuridão.
- Quais são as nossas cegueiras, que devemos apresentar a Cristo,
para que ele nos cure e nos dê a verdadeira Luz?

2) Perseverar na Oração como Bartimeu.
- Somos pacientes e perseverantes na oração?

3) Seguir Jesus no Caminho:
Na Igreja primitiva, "o Caminho" significava o cristianismo.
Os "seguidores do Caminho" eram os cristãos.
O cego curado seguiu Jesus pelo caminho, tornou-se um "Discípulo".
Para ser "Discípulo" precisa querer VER e decidir CAMINHAR.
Não basta a euforia do primeiro encontro.

Façamos nossa, a oração do cego: "Mestre, que eu veja!…"
Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 25.10.2009
site: www.buscandonovasaguas.com

quinta-feira, 22 de outubro de 2009